Eu, mulher, e o depois dos 30…

Qual foi a primeira coisa que aprendi com a tal maturidade que insiste em chegar chegando aos 30? Que dificilmente nos tornamos aquilo que fantasiamos na adolescência.

Temos o péssimo habito de idealizar a vida, e caímos na tolice de prestar atenção apenas naquilo que saiu do prumo, esquecendo de olhar com orgulho para todo o resto que construímos, sem nem nos dar conta disso… Confinados nesse erro, seguimos a vida matando nossos sonhos, ao invés de fomentá-los…

Não, eu não me tornei uma executiva afortunada, que desfila, de saia lápis e scarpin sola vermelha de salto agulha, pelos corredores de uma multinacional para chegar a uma sala só minha, bem decorada e com janelas panorâmicas… Sou aquela que gosta mesmo é do bom e velho mocassim folgado, que dribla os móveis de um Atelier apertado, na maior parte do tempo bagunçado, e com a mesa cheia de respingos de tinta…

Não tenho uma mega casa com jardim, cozinha gourmet e carro do ano na garagem… mas morro de amores pelos meus vasinhos de orquídeas que cultivo na minha sacada… na minha “cozinha/lavanderia”, já criei muitos quitutes e caipivodkas para alegrar as noitadas entre amigos.

Não ando por aí com bolsa de grife pendurada no ombro…  mas com 2 ou 3 sacolas sim…  metrô lotado é sim meu meio de transporte diário, o que me faz agradecer todos os dias por não precisar usar o tal scarpin salto agulha, me fazendo amar ainda mais o meu mocassim folgado.

Não sou magra, muito menos sarada, e nem toda roupa que vejo na vitrine da loja, ou no corpo de algumas mulheres me cabe, ou me cai bem… mas quando me arrumo meu bem… não tem pra ninguém… porque eu me conheço sei dos meus artifícios…

Não viajo para a Europa com a frequência que idealizei, na verdade, não viajo para lugar nenhum com a periodicidade que imaginei… mas viajo nos meus pensamentos, e lá existem lugares espetaculares…

Não vou pra minha casa de campo nos fins de semana, não consigo nem imaginar se algum dia terei a possibilidade de comprá-la… mas tudo bem, porque também curto ler meus livros no meu sofá de todo dia…

A questão é… E daí que eu não segui os planos padrões?

Quanto tempo precioso de vida a humaninade perde investindo na auto sabotagem… Eu pensava que com 30 teria todas as minhas questões de vida respondidas, e que a minha plenitude seria alcançada… doce ilusão, adquiri apenas muitas novas dúvidas e questionamentos, e posso dizer?… sou grata por isso!!! Eles me levam pra frente…

Acho que o maior ganho dos 30 está na maturidade do auto conhecimento, no entendimento do significado real do auto agrado e da autoestima, que fazem com que padrões pré estabelecidos percam importância e sentido dentro do meu mundo.

Eu parei de acordar todos os dias de manhã com a intenção de agradar o mundo, porque já entendi que me sentir bem é o que interessa, e não o estar de acordo…

Parei de me vestir e agir para os outros, e comecei a fazer isso para mim… isso aconteceu porque me descobri, me enxerguei, e me amei…

Eu não preciso mais de um evento social para usar aquele look que desejo, eu uso quando tenho vontade, porque entendi que o evento mais cool que existe é o de me amar.

Descobri que maquiagem não serve para esconder imperfeições, mas para realçar aquilo que amo e valorizo em mim…

Aprendi a prestigiar, admirar e amar minhas curvas, porque sei que minha autoestima é muito mais bonita que um número baixo na balança…

Entendi que amar meu trabalho e explorar meus talentos, valem muito mais que um alto salário aliado a horas e dias infelizes…

Percebi que não seria a fama ou um vasto reconhecimento no mundo da Arte que fariam de mim uma profissional competente e feliz… eu sou essa profissional, porque aprendi a valorizar cada elogio e cada investimento individual e sincero recebido…

Posso não ter a carreira e a vida que idealizei lá atrás, mas tenho tudo o que preciso…  trago hoje comigo uma bagagem linda que é só minha, conquistada porque eu me experimentei, me descobri e me construí.

Posso vir a não ter nada, mas ao mesmo tempo, terei tudo… sei disso porque compreendi que pessoas bem sucedidas são aquelas com a capacidade de começar do zero diversas vezes sem se abalar, pois carregam consigo o auto conhecimento, o amor próprio, a coragem e a confiança necessários para recomeçar, reconstruir e se reinventar.

Entendi com os 30 que, para ser bem sucedida, eu só precisava me amar …

Aí você me pergunta mais uma vez, afinal, o que eu aprendi com a maturidade?

Aprendi que para me amar, eu só precisava me descobrir…

Com amor,

FeSendra

Ps.: As imagens e textos deste Blog são protegidos pelas Leis de Direitos Autorais, que proibe a cópia e uso por terceiros sem autorização prévia do autor. Respeitar o trabalho de um artista, é um ato de amor. Pratique! 😉

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