Para onde você foi?

Texto inspirado na experiência de uma moça linda e muito especial que conheço, sobre um encontro de almas, sobre erros e acertos, e principalmente sobre compreender que algumas pequenas atitudes envolvem e transformam, mas que outras machucam… E sobre aprender a lidar com tudo isso…

Para onde você foi? Essa pergunta tornou-se constante em sua mente todas as vezes que se encontravam, mesmo fisicamente presente, ela não mais sentia sua presença com a mesma intensidade.

Aquele cara do passado já não estava mais alí, não de forma constante como antes… ele mudara nas atitudes, e não foi para melhor… A cada dia que se passava, seus sorrisos tornavam-se lágrimas internas, e mesmo na sua companhia, em muitos momentos ela se sentia só.

A indiferença tomava conta de suas atitudes, e isso a machucava…

Ela já não podia reconhecê-lo no toque, nas conversas, nem mesmo nas trocas de olhares… Tudo parecia frio… Agora ela só conseguia sentir saudade.

Não foi por falta de esforço, ela usara todas as ferramentas disponíveis para mantê-lo alí, mas parece que ele se foi…

Sempre foi sabido que se tratava de uma aventura, e gostava disso, mas acreditava que aventuras deixavam marcas positivas, doces, do tipo com gosto de quero mais…

  Tinha consciência desde o início de que arriscava muito, acreditava no poder vital da adrenalina, mas o retorno já não se mostrava doce como antes… agora ela já se perguntava se teria valido a pena, as coisas tomavam rumos diferentes dos idealizados.

Nas tardes mais calmas de trabalho, se encaixava confortavelmente na poltrona, e cultivava a saudade do tempo em que ele lhe dedicava tempo, e o mais importante, atenção.

Lembrava-se do quanto era bom ser interrompida dos estudos e leitura na madrugada com mensagens de “cadê vc?”. Sorria ao lembrar-se dos convites pro café no meio do dia, mesmo fora do horário de encontro habitual, pela simples vontade da companhia… ou de quando recebia fotos dos locais onde se encontravam só pra se lembrarem dos momentos juntos…

Mas ele não parecia mais se importar em fazê-la sentir… tudo isso se foi, desapareceu com o tempo, e ela não conseguia encontrar o local exato onde tudo se perdera…

Ele chegou devagar, a conquistou aos poucos, desfez suas amarras, a despiu corpo e alma, mas como num sopro, desapareceu. Ele não mais a tocava ou seduzia como antes.

Nesse mar de lembranças, ela refletia se talvez não tivesse sido tola, e quem sabe um pouco sonhadora… Decerto, devesse ter se mantido fiel ao seu instinto de que não devia sair da linha… Mas ela seguiu o coração, achou que merecia, uma vez na vida, libertar-se das regras que não eram suas, e se deixar levar, apenas para se permitir.

Não, a culpa não era dela… não tomaria mais para si as responsabilidades que não lhe cabiam…

Essa relação era para ser leve, mas atitudes a tornam complexa dia após dia, ela já desconhecia a forma ideal de agir…

A inquietação e insegurança já não lhe permitem mais descansar e curtir as lembranças.

A máquina de expresso tornara-se cada vez mais companheira, e a cada gole de café, ela se perguntava qual seria seu real sentimento por ele, mas não encontra respostas, há um misto de carinho e raiva que não consegue decifrar. Confiava em uma bela amizade colorida, mas ele já não parece disposto a reciprocidade…

Com o tempo percebia que apenas ela se doava, ele aos poucos se fechava e se distanciava… E ela que tinha se descoberto tão segura, parecia perdida…

Ela não entendia, já fazia tanto tempo… porque ele ainda dedicava pequenas doses carinho se o que tivesse a oferecer fosse apenas indiferença?

Ela sente-se confusa, isso lhe era tão cruel que parecia cortar-lhe a carne por dentro… Entendia ser essa a única forma real de traição… traição que para ela nunca esteve relacionada com fidelidade, mas com lealdade…

Nos momentos de intimidade, não era o sexo o que mais importava para ela, mas o importar-se… o que a encantava era o misto de ousadia estranhamente unida a delicadeza de pedir permissão por cada etapa a ser avançada…

Sentia saudades do tempo em que compartilhava sua rotina com ele, e se sentia bem e segura quando ele fazia o mesmo, não existia ciúmes, porque no momento em que estavam juntos, mesmo no meio de tantos, ela conseguia sentir que ele estava apenas com ela… havia confiança pautada pela lealdade que existia nos dois, mas com o tempo ele não mais dividia, nem mesmo se mostrava tão receptivo aos compartilhamentos dela, a companhia dedicada antes dava lugar aos poucos a respostas monossilábicas, e nos momentos juntos, ele já não parecia atento a estar só com ela…

Sonhadora ou trouxa que só, ela não desistiu, ela gosta demais desse cara, acredita na força do karma, e ainda aguarda que ele retorne… a mesa do café estará sempre posta para os dois, mesmo que sua insegurança, exija que ela recue em certos momentos …

Onde está você agora? Ela se pergunta ao servir mais uma xícara de café… coloca uma colher de açúcar… lembra-se de que ele tentava fazê-la mudar esse habito… ela hesita e afasta o açucareiro, arrisca um gole… Não consegue… de uns tempos pra cá, até o café lhe parecia cada vez mais amargo e solitário… Ela volta a pegar o açucareiro, se serve de mais duas colheres, afinal, alguma de suas lembranças precisa permanecer doce…

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